Algoritmos e o foco na diferença
Aparentemente ser-se inclusivo está OUT.
A hipermonetização do conteúdo bem como e a fusão entre informação e opinião, notícias e entretenimento alteraram atitudes sociais. Vivemos num mundo cada vez mais “jogo de soma zero”, um conceito de game theory, em que os ganhos de uns são extraídos à custa de outros: Mulheres vs. homens, geração Z contra Millenials. A Vogue diz-nos que ter um namorado é embaraçoso. A Manosphere diz que o único valor das mulheres é a beleza. Apontamos diferenças culturais, sublinhamos polarização que também se manifesta em opiniões políticas cada vez mais extremistas. Isto é importante para as marcas porque a identidade destes grupos é construída pela rejeição de outros. Aparentemente ser-se inclusivo, respeitar outros estilos de vida está OUT. Por outro lado, aponta-se dedos, a quem tem opiniões diferentes como se fosse um inimigo pessoal. Mas, como a game theory nos mostra, no total, ninguém ganha.
As redes sociais
Os estudos indicam que emoções negativas são mais virais e mais impactantes que emoções positivas. Os algorimos percebem e alimentam-se disso. Influencers percebem isso porque as visualizações geram dinheiro. Quando não pagamos pelas redes sociais e pelos conteúdos, o produto somos nós. E esta polarização constante afeta o sistema nervoso: hipervigilância, ansiedade, cinismo, etc.
Existe um momento no documentário Louis Theroux: Inside the Manosphere no Netflix que ele pergunta a um dos “influencers”, porquê que ele não se foca em fazer algo positivo e bom e ele reconhece que nunca seria famoso se fosse esse o seu foco de conteúdo. Quando as regras do jogo promovem conflito, polarização, e a forma como a sociedade evolui e se comporta, quem ganha?
O que podemos fazer
criar consciência dos padrões que vimos nas redes sociais e perceber a agenda por trás dos tópicos discutidos e as emoções que tentam desencadear.
nem tudo o que parece informação é, na realidade, informativo. Muitas vezes é apenas opinião apresentada como factos. E numa altura em que quase toda a gente nas redes sociais se apresenta como expert em algo!
reconsiderar a nossa participação em certas narrativas. Nem todas as conversas precisam da nossa presença. Nem todas as opiniões merecem resposta. Isto pode significar deixar de seguir contas que vivem de conflito, fazer reset ao algoritmo, reduzir tempo passado nas redes sociais ou/e alterar as redes sociais em que participamos. Eu sou uma fã do Pinterest mas também do Red Note, porque é muito menos dramático, não permite monetização e é muito mais sensível ao conteúdo que interajo (ou que digo que não estou interessada).
privilegiar espaços sem monetização. Conversas offline. E não confundir desacordo com ataque.
perceber a energia que perdemos de forma inconsciente. Quando alguém diz algo que nos atinge da forma errada (seja online ou pessoalmente) e nós reagimos de imediato, na defensiva, ficamos convencidos de que é o comentário da outra pessoa que nos drena. O que nos desgasta é a ativação interna que isso provocou.
Aquela sensação de frustração, pressão e desconforto. E como essa sensação é difícil de suportar, o corpo quer livrar-se dela depressa. Por isso, reagir, justificar, atacar, afastar-se ou fazer mais do que é preciso pode parecer, naquele instante, a solução mais rápida. Mas parar e respirar de forma consciente e deixar o corpo auto regular-se é a melhor opção. E o nosso corpo não foi desenvolvido para estarmos a ser constantemente ativados e por isso é que é tão importante aprendermos a filtrar o conteúdo que interagimos.
não transformar opiniões em identidade. Este é um dos conceitos mais importantes para mim para uma vida alinhada: ter um conceito de identidade fluida que não é fácil de definir.
sermos um exemplo firme dos valores em que acreditamos, também leva a que orientamos quem nos rodeia. Não podemos pôr ninguém nesse caminho à força. Mas podemos mostrar que esse caminho existe e que é possível percorrê-lo.
CHECK-IN
Terminei O Conde de Monte Cristo e agora estou a ler Margo Tem Problemas de Dinheiro, antes de começar a ver a série da Apple Tv. Estou também a ler Les Misérables, a edição especial da Penguin, para continuar o currículo de clássicos franceses.
Enviaram-me este vídeo do Youtube sobre péptidos após o meu artigo, e o que eu me ri. Recomendo! Está super bem feito e com humor. Adoro quando o que escrevo leva a que as conversas continuem :)
Não esquecer em fases mais difíceis que escrever pequenas coisas pelas quais estamos gratos faz toda a diferença. O nosso cérebro adora listas de gratidão :)


